Antônio: exemplo de superação e dedicação nos estudos

Antônio Rafael da Silva, 49 anos, casado, pai de dois filhos. Parece alguém comum, mas é um exemplo de superação e dedicação nos estudos e na vida profissional. Mesmo após muitos anos longe dos estudos, voltou a estudar, concluiu o ensino médio, fez a prova do Enem, ganhou a bolsa do Prouni e agora está concluindo seu primeiro curso superior. Conheça a história deste homem que não se conformou com a situação em que estava, mas resolveu dar um rumo diferente a sua vida.

MCD: Conte-nos um pouco de sua história.

Antônio: Meu sonho sempre foi fazer engenharia. Tentei por várias vezes pelo Fies, e pelo vestibular do Cefet/Go, mas não consegui. Quando surgiu o Prouni vi uma oportunidade, bastava estudar. Estudei por três anos seguidos para as provas do Enem. Na primeira e segunda vez não consegui. Na terceira intensifiquei os estudos e consegui a nota necessária. Minhas opções eram engenharia e arquitetura (mas como os cursos são de manhã, não tinha jeito pois tinha que trabalhar o dia todo). Na lista de opções tinha também o curso de Processos Gerenciais, que eu nem sabia o que era, mas mesmo assim marquei como outras opções. Fui contemplado com bolsa integral neste curso na Unopar da cidade de Goiânia, liguei para confirmar, fui e fiz a matrícula. O curso era uma vez por semana, para mim foi melhor por causa do trabalho.

Moro em Anicuns, cidade localizada a 72 Km de Goiânia. Venho de ônibus escolar, que sai as 16h da minha cidade. O ônibus é particular, pago 10 reais por viagem. Às 23h ele sai de Goiânia e chega em Anicuns por volta das 00:30h. Trabalho como mestre de obras na empresa Vitória Pereira do Carmo, a um ano e meio. Antes trabalhava como pedreiro, carpinteiro e nos últimos anos virei mestre de obras, por causa do conhecimento adquirido sobre leitura de projetos e gerenciamento de equipes. Fiz o curso de Mestre de Obras, durante oito meses pelo Instituto Universal Brasileiro, o que me ajudou a aprimorar os conhecimentos e aplicá-los em meu dia a dia. Como eu já tinha o ensino médio, além de facilidade com matemática, isso me ajudou.

Fiz ensino fundamental e após isso fiquei 17 anos sem estudar pois não tinha tempo por causa do trabalho. Tinha um colega advogado, ele queria montar um supletivo. Certa vez ele me disse que quando abrisse o curso iria me dar uma bolsa. Ele inaugurou o Colégio Sete de Junho, em Anicuns, e cumpriu sua promessa. Eu não me lembrava de quase nada, e por isso nas matérias de matemática, química e física eu fiquei por um mês de ouvinte em sala de aula. Depois matriculei, e após 2 anos formei, fui o terceiro melhor aluno da classe. Logo que terminei, não parei de estudar, pois meu objetivo era conseguir a bolsa do Prouni, ou passar no vestibular do Cefet/Go. Para mim era o caminho mais fácil para chegar ao meu objetivo, bastava estudar.

Depois do supletivo ganhei um cursinho no Colégio Serra Dourada, em Goiânia. Estudei lá por três meses. Depois fiz dois meses de redação na Lúcia Vasconcelos, e quatro meses de cursinho na Polivest. Antes disso eu não sabia nada de redação. Fui acumulando conhecimentos e apliquei tudo no Enem. Consegui 150 pontos, e na redação 75. Foi difícil mas consegui. O tema da redação foi sobre a leitura. Eu sempre gostei de ler, tenho mais de 300 livros em casa nas áreas de matemática, química, física e conhecimentos gerais. No último ano antes desta prova do Enem estudei todos os dias. Tinha uma meta a ser alcançada diariamente, marcava as páginas a serem estudadas e resolvia tudo.

Tenho vontade de trabalhar em uma empresa grande. Depois que terminar o curso de Processos Gerenciais, quero fazer o curso técnico em mestre de obras do Senai, e depois tentar entrar no Cefet/Go de novo. Quero utilizar todos os conhecimentos adquiridos tanto no curso de Processos Gerenciais, quanto nos outros cursos para aplicar na empresa que me der oportunidade.

MCD: Quais as dificuldades que você enfrentou ao começar um curso superior na modalidade de Ensino à Distância?

Antônio: a) Lugar estranho. Pra mim a faculdade parecia outro mundo (aprimorado e desconhecido)
b) Dificuldade com informática, pois na minha época não existia isso.
c) Era muito tímido, não tinha entrosamento, as pessoas estranhas me assustavam.

Essas foram minhas principais dificuldades.

MCD: E o que mudou do início do curso até agora?

Antônio: A faculdade mudou completamente minha forma de pensar, agir, falar, enfrentar as dificuldades com mais pé no chão. Agora sei usar os computadores. Comprei um computador, e sempre pedia ajuda aos colegas. Há 15 anos atrás eu tinha feito um curso de datilografia, já tinha portanto uma noção de digitação, então eu pegava textos em casa e ficava digitando para praticar. Tenho dois sobrinhos que no primeiro ano me ajudaram a fazer os trabalhos da faculdade, depois eu já conseguia fazer sozinho. O pessoal da faculdade também me dava apoio, se não fosse essas ajudas eu nunca daria conta de terminar o curso.

Saía do serviço às 15h, jantava e ia pegar o ônibus às 16h. Teve uma época que fiquei 8 meses desempregado, não tinha dinheiro para o ônibus. Na ocasião o dono do ônibus disse para eu não parar de estudar, que depois eu o pagaria. Algum tempo depois comecei a trabalhar e o paguei.

Meu cansaço era grande, saía de lá cedo. Na volta ia dormindo no ônibus, chegava lá 00:30h, e no outro dia levantava às 06:00 para ir trabalhar novamente. Por causa da minha idade, não tinha mais a energia de quando era mais jovem. Sinto-me orgulhoso de concluir um curso superior com a idade que tenho hoje.

MCD: O que te motivou a vencer todos esses obstáculos?

Antônio: A necessidade de crescer, de conseguir emprego e um maior salário. No início eu trabalhava como diarista, sem estabilidade, ganhava pouco. Eu queria dar uma vida melhor para minha família. Meus filhos precisavam de alguém para dar um suporte financeiro a eles.

MCD: Deixe uma mensagem para todos aqueles que leram sua história.

Antônio: Nunca é tarde para começar, nunca desista, tente superar o cansaço, enfrente as dificuldades de cara erguida, e nunca fale que é impossível. Muitas pessoas falavam para mim que eu não conseguiria, e agora estou concluindo meu curso superior. Graças a Deus com grande êxito, vou levar uma grande bagagem de conhecimento.

MCD: Sou professor do Antônio desde quando ele entrou na faculdade. Tenho acompanhado de perto seu crescimento como profissional e como pessoa. Posso afirmar com convicção que ele hoje é uma pessoa muito melhor do que quando entrou pela primeira vez por aquelas portas da sala 7. Neste último semestre ele não tem ido na Universidade apenas uma vez por semana, que é o exigido pelo curso, mas tenho visto ele todos os dias no laboratório de informática, se esforçando para fazer seu trabalho de conclusão de curso, estágio, além de todas as provas e trabalhos das disciplinas deste último semestre. Cada vez que o vejo em busca de seus objetivos, sinto-me motivado a continuar dando aulas, contribuindo para que pessoas como o Antônio possam obter êxito em suas vidas.


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2 comentários:

  1. Olá Professor Douglas!
    Muito emocionante a história do nosso amigo Antônio Rafael, ele é sim um grande exemplo de vida e superação, inclusive para nós seus amigos de sala de aula. Histórias como essas nos ajudam e muito a seguir em frente com nossos sonhos e objetivos.
    Parabéns por ter colocado a história do Antônio e da Andressa no seu Blog!

    Giselle Carvalho

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  2. Valeu Professor Douglas, por colocar esse exemplo de vida no seu Blog.
    Parabéns Antônio, fico muito feliz por sua vitória. Você é um exemplo de raça, dedicação e força de vontade. Muitos teriam desistido no primeiro obstáculo... você, mesmo com tanta adversidade seguiu em frente e, com certeza, vai colher os frutos dessa vitória. PARABÉNS!

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